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Not�cia - 20/10/2026 - Redução da jornada de trabalho: como calcular os impactos nos custos da assistência técnica 20/10/2026 - Redução da jornada de trabalho: como calcular os impactos nos custos da assistência técnica

Empresas do setor devem revisar a folha de pagamento, avaliar a cobertura dos atendimentos e simular diferentes cenários financeiros para se preparar para as novas regras trabalhistas.



A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 trazem novos desafios de planejamento para as empresas brasileiras. No setor de conservação e assistência técnica de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e similares, a adaptação exige atenção não apenas às escalas de trabalho, mas também aos custos operacionais, à produtividade das equipes e à capacidade de manter o atendimento aos clientes.

A Emenda Constitucional nº 141/2026, promulgada em 16 de outubro, estabelece a transição para dois dias de descanso semanal remunerado e a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. A primeira etapa está prevista para 15 de dezembro de 2026, com jornada de até 42 horas semanais, seguida da redução para 40 horas ao final do período de transição. Fonte: Agência Brasil.

Para as empresas do setor, a questão central é compreender como essas mudanças podem afetar cada operação e quais ajustes serão necessários para manter o equilíbrio entre despesas, capacidade de atendimento e qualidade dos serviços.

O SECAEESP destaca que o impacto financeiro não será necessariamente igual para todas as empresas. O resultado dependerá da estrutura de pessoal, da jornada atualmente praticada, do volume de serviços, dos horários de funcionamento e da possibilidade de reorganizar processos.

1. Como a redução da jornada pode afetar os custos da empresa?

A redução das horas disponíveis de trabalho não significa, automaticamente, que todas as despesas aumentarão na mesma proporção.

Entretanto, quando a empresa precisa manter o mesmo horário de funcionamento e o mesmo volume de atendimentos, poderá ser necessário redistribuir as tarefas, ampliar a equipe ou reorganizar os turnos.

Entre os principais pontos que devem ser avaliados estão:

Folha de pagamento: os salários deverão ser mantidos conforme a nova regra, mesmo com a redução da jornada máxima.

Cobertura dos horários: empresas que atendem durante seis ou sete dias da semana precisarão avaliar como manter a operação com as novas escalas.

Contratação de profissionais: dependendo da demanda e da capacidade das equipes atuais, pode ser necessário contratar novos técnicos ou auxiliares.

Horas extras e compensações: será importante revisar a programação do trabalho e verificar os limites legais aplicáveis, evitando que a operação dependa de horas extras recorrentes.

Encargos e benefícios: eventuais alterações no quadro de pessoal, nas horas extras e nas escalas podem modificar o custo total da mão de obra.

Produtividade: a melhoria dos processos, a organização das agendas e a redução dos deslocamentos podem ajudar a preservar a capacidade de atendimento.

O primeiro passo é identificar quais desses fatores realmente se aplicam à realidade do negócio, evitando decisões baseadas apenas em estimativas gerais.

2. Como calcular o impacto da redução da jornada?

Uma forma prática de começar é comparar a quantidade de horas de trabalho disponíveis atualmente com a quantidade prevista para cada etapa da transição.

Considere uma empresa que possui um funcionário contratado para trabalhar 44 horas semanais. Com a redução para 42 horas, haverá duas horas semanais a menos de disponibilidade de trabalho. Na etapa seguinte, com o limite de 40 horas, a diferença em relação à jornada original será de quatro horas por semana.

Isso não significa que a empresa precisará contratar automaticamente um novo funcionário. Antes dessa decisão, é necessário avaliar se a diferença poderá ser absorvida por ajustes nas agendas, redistribuição de tarefas, melhoria dos processos ou mudanças nos horários de atendimento.

Exemplo de simulação de capacidade de trabalho

Considere uma equipe com cinco profissionais que atualmente trabalham 44 horas semanais cada um.

Indicador

Jornada de 44 horas

Jornada de 42 horas

Jornada de 40 horas

Número de profissionais

5

5

5

Horas semanais por profissional

44

42

40

Total de horas semanais da equipe

220

210

200

Redução em relação à jornada original

—

10 horas

20 horas

Nesse exemplo, a equipe passa a disponibilizar 10 horas semanais a menos na primeira etapa e 20 horas a menos quando a jornada chegar a 40 horas.

A empresa deverá avaliar como essa diferença afeta sua demanda real. Se parte do tempo atualmente utilizado for consumida por deslocamentos longos, retrabalho, espera por peças ou falhas de agendamento, melhorias nesses processos poderão ajudar a compensar parte da redução.

Atenção: esse cálculo representa apenas a capacidade nominal de horas da equipe. Não corresponde a uma previsão automática de aumento de custos nem determina quantas contratações serão necessárias.

3. Como estimar o custo de uma eventual contratação?

Caso a análise indique que a equipe atual não conseguirá atender à demanda dentro dos novos limites, a empresa poderá simular o custo de ampliar o quadro de funcionários.

Essa estimativa deve considerar muito mais do que o salário mensal do novo profissional.

É importante incluir, conforme a situação e o regime aplicável:

salário contratual;

encargos trabalhistas e previdenciários;

provisões de férias e 13º salário;

benefícios concedidos pela empresa ou previstos em instrumentos coletivos;

equipamentos de proteção, ferramentas, uniforme e treinamento;

despesas com deslocamento e estrutura operacional;

custos de recrutamento e integração.

A análise deve ser feita com o apoio da contabilidade ou da assessoria responsável pela folha de pagamento, considerando o regime tributário da empresa, as regras trabalhistas aplicáveis e as condições previstas na Convenção Coletiva de Trabalho.

Além disso, é necessário comparar o custo adicional com os resultados esperados. Uma contratação pode ser necessária para manter a capacidade de atendimento, mas sua viabilidade deve ser avaliada em conjunto com o volume de serviços, o faturamento e a margem de cada operação.

4. A empresa conseguirá manter os mesmos atendimentos?

Para a assistência técnica, esse é um dos pontos mais importantes.

O número de horas contratadas não representa, isoladamente, a quantidade de reparos que a empresa consegue concluir. O resultado também depende da especialização dos profissionais, da complexidade dos equipamentos, da disponibilidade de peças e da organização das visitas.

Por isso, antes de ampliar a equipe, o empresário deve analisar a produtividade atual.

Algumas perguntas podem ajudar:

Quantos atendimentos cada técnico realiza por dia?

Quanto tempo é gasto em deslocamentos entre clientes?

Quantos serviços precisam de uma segunda visita?

Há atrasos causados pela falta de peças ou pela demora na aprovação de orçamentos?

Os atendimentos são distribuídos de forma equilibrada entre os profissionais?

Existem períodos com baixa demanda que poderiam ser utilizados para diagnósticos, treinamentos ou manutenção preventiva?

Essas informações permitem identificar oportunidades de melhoria e estimar com mais precisão a capacidade necessária para atender aos clientes.

Medidas que podem ajudar a preservar a produtividade

Organizar as visitas por região: agrupar atendimentos próximos reduz o tempo gasto em deslocamentos.

Melhorar o agendamento: confirmar previamente a disponibilidade do cliente e as condições do equipamento pode evitar visitas improdutivas.

Controlar peças e materiais: verificar a disponibilidade dos componentes antes de programar o reparo ajuda a reduzir retornos desnecessários.

Acompanhar indicadores: monitorar atendimentos concluídos, tempo médio de reparo, retrabalho e serviços pendentes permite identificar gargalos.

Revisar a distribuição de tarefas: atividades administrativas, recebimento de equipamentos, diagnósticos e reparos podem exigir diferentes formas de organização da equipe.

Essas medidas não substituem a adequação à legislação, mas podem contribuir para que a empresa aproveite melhor as horas de trabalho disponíveis.

5. Como planejar a cobertura dos horários de atendimento?

Empresas que mantêm oficinas, balcões de recebimento, suporte telefônico ou atendimento externo precisam avaliar se os horários atuais poderão ser preservados com a nova distribuição das jornadas.

Uma empresa que atende de segunda a sábado, por exemplo, poderá estudar o revezamento dos profissionais, a distribuição dos dias de descanso e a reorganização dos horários de entrada e saída.

Já os negócios que oferecem manutenção emergencial ou atendem clientes empresariais em horários específicos deverão analisar como garantir a cobertura necessária sem desrespeitar os períodos de descanso.

O planejamento pode envolver:

elaboração de escalas alternativas;

identificação dos horários de maior procura;

redistribuição de técnicos por especialidade;

avaliação da necessidade de equipes de apoio;

revisão dos prazos prometidos aos clientes;

análise da viabilidade financeira de ampliar a cobertura.

É importante lembrar que a continuidade do funcionamento do estabelecimento não exige, necessariamente, que os mesmos empregados permaneçam disponíveis durante todo o período. A solução dependerá da demanda, do tamanho da equipe e das regras aplicáveis a cada atividade.

6. Monte três cenários financeiros antes de decidir

O SECAEESP recomenda que o empresário não trabalhe com uma única projeção. A elaboração de cenários ajuda a compreender diferentes possibilidades e a escolher medidas compatíveis com a realidade financeira da empresa.

Cenário 1 — Reorganização da operação

A empresa consegue absorver boa parte da redução das horas por meio de melhorias no agendamento, redução de deslocamentos, redistribuição das tarefas e revisão dos processos.

Nesse caso, o impacto financeiro poderá ser mais limitado, desde que a produtividade e os prazos de atendimento sejam preservados.

Cenário 2 — Ajustes pontuais na equipe

A reorganização resolve parte da necessidade, mas determinados horários ou especialidades continuam exigindo cobertura adicional.

A empresa pode avaliar contratações pontuais, mudanças nos turnos ou redistribuição de profissionais, calculando os custos adicionais e a capacidade de atendimento resultante.

Cenário 3 — Ampliação da capacidade operacional

A demanda é elevada e a manutenção dos atuais horários e prazos depende de uma ampliação mais significativa da equipe.

Nesse cenário, será necessário projetar o custo completo das contratações, os efeitos sobre a folha de pagamento e o faturamento necessário para sustentar a operação.

Os três cenários devem considerar o volume atual de serviços, as despesas fixas e variáveis, a margem operacional e a demanda esperada. Nenhum deles deve ser adotado automaticamente: a decisão deve resultar da análise dos dados da própria empresa.

7. O que o empresário deve revisar até a entrada em vigor das mudanças?

Com a primeira etapa prevista para dezembro de 2026, o período de preparação é importante para que as empresas não precisem fazer alterações de última hora.

O planejamento pode começar com esta lista:

Levantar as jornadas e as escalas atualmente praticadas.

Calcular a disponibilidade semanal de horas de cada equipe.

Mapear os horários de funcionamento e os períodos de maior demanda.

Analisar os custos atuais da folha de pagamento.

Estimar os custos de eventuais contratações e mudanças nas escalas.

Identificar oportunidades de melhoria na produtividade.

Simular cenários financeiros para as diferentes etapas da transição.

Conferir a Convenção Coletiva de Trabalho e as demais regras aplicáveis.

Alinhar os ajustes com a contabilidade e a assessoria trabalhista.

Definir responsáveis e prazos para a implementação.

A elaboração desse plano permite identificar antecipadamente os principais pontos de atenção e estabelecer prioridades, sem comprometer desnecessariamente o caixa da empresa.

O SECAEESP orienta: planejamento é essencial para uma transição organizada

A redução da jornada de trabalho exige atenção dos empresários, mas seus efeitos financeiros dependem das características de cada negócio.

Uma empresa com processos bem organizados, demanda variável e horários flexíveis poderá enfrentar necessidades diferentes das de uma assistência técnica que mantém atendimento contínuo, grande volume de chamados ou serviços emergenciais.

Por isso, não é recomendável presumir que a redução da jornada provocará o mesmo percentual de aumento de custos para todas as empresas. O caminho mais seguro é realizar cálculos próprios, avaliar alternativas e tomar decisões com base em informações concretas.

O SECAEESP acompanha as mudanças trabalhistas que impactam as empresas de conservação e assistência técnica de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e similares do Estado de São Paulo e reforça a importância de buscar informação confiável para orientar a gestão do negócio.

Sua empresa já calculou o impacto das novas jornadas na folha de pagamento e na capacidade de atendimento?

Comece o planejamento agora, revise seus processos e prepare sua equipe para uma transição organizada.

Acompanhe as orientações e notícias do SECAEESP em www.secaeesp.com.br.

Dúvidas: juridico@secaeesp.com.br

Conteúdo informativo. A implementação das novas jornadas deve observar o texto constitucional vigente, as normas trabalhistas aplicáveis e os instrumentos coletivos pertinentes à categoria.


Fontes de referência
- Agência Brasil — Saiba quando começa a valer o fim da escala 6x1.

Agência Brasil
- Senado Federal — PEC 221/2019 e a redução da jornada semanal.

Senado Federal





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